Acervo de Mário de Andrade revela profissional múltiplo e ávido por cultura

Acervo localizado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP tem mais de 30 mil documentos além de livros e coleção de artes visuais do intelectual que foi destaque do modernismo

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Infografia: Beatriz Abdalla
Com informações de Denise de Almeida Silva, do IEB

UM TESOURO NA USP

Mário de Andrade foi um homem múltiplo profissionalmente e ávido por cultura. Em um de seus poemas ele diz “Eu sou trezentos, trezentos e cinquenta”. Sim, foi escritor, poeta, modernista, ensaísta, viajante, fotógrafo, gestor público, crítico de arte, musicólogo, professor. Viveu 51 anos.

Seu acervo chegou ao IEB em 1968, após negociação com sua família e recomendação do Professor Antonio Candido que informou em uma correspondência no ano de 1966 “(o acervo) representaria a aquisição de um patrimônio inestimável que é ao mesmo tempo um incomparável instrumento de trabalho para os investigadores de agora e do futuro, significando ainda, a realização dos desejos de Mário de Andrade, que disse e escreveu tantas vezes que tudo que juntou se destinava ao proveito dos seus concidadãos”.

Desde 1995 o Acervo de Mário de Andrade é tombado pelo IPHAN. Isso significa que seus objetos, obras de arte, biblioteca e arquivo pessoal  foram declarados patrimônio nacional, pois se reconhece a importância cultural e social desta coleção para a sociedade brasileira.

A título de curiosidade Mário de Andrade foi um dos autores do anteprojeto da criação do SPHAN que foi a primeira denominação do órgão federal de proteção ao patrimônio cultural brasileiro, hoje denominado IPHAN;

Mário de Andrade (1928) - Foto: Domínio público via Wikimedia Commons

Biblioteca

0 mil volumes
entre livros, separatas, revistas e jornais

Coleção de Artes visuais

0 obras
entre pinturas, gravuras, desenhos, objetos de arte religiosa, popular e indígena.

Arquivo

0 documentos
entre correspondências, partituras, manuscritos de obras, programas musicais, fotografias, cardápios, recorte de jornais e entre outros tipos documentais...

MATERIAL MULTIMÍDIA

Vídeo

A casa do Mário- documentário feito com base no acervo do IEB pelo pesquisador e diretor Luís Bargmann:

Podcasts do IEB

Música e Modernismo: a Canção Marinha, uma parceria musical entre Mário de Andrade e Marcello Tupynambá

A coleção de cardápios de Mário de Andrade (1915-1940) – Essa documentação encontra-se preservada no acervo do IEB e foi o objeto de investigação de dissertação de mestrado.

O Fundo Mário de Andrade por meio de seu Fichário Analítico

O “Fichário Analítico”, do Fundo Mário de Andrade, convida-nos a conhecer de perto a rotina de pesquisador de seu titular, além de promover um passeio instigante pelas diferentes partes de seu acervo.

A amizade entre Anita Malfati e Mário de Andrade

A amizade entre Anita Malfatti e Mário de Andrade é o tema desse episódio que traz a leitura de uma carta muito especial, pertencente ao acervo do Arquivo IEB

Viola Quabrada, uma canção de Mário de Andrade

A gênese Viola quebrada, canção de Mário de Andrade da década de 1920, no plano de suas pesquisas sobre a música e a poesia brasileiras.

O CÉREBRO DE MÁRIO DE ANDRADE

Os itens do acervo de Mário de Andrade possuem uma relação orgânica entre si, como se vários elos fossem formados à medida que constituía seu acervo, e que garantem a “completude” de informações entre eles.

Mário de Andrade fazia um trabalho minucioso de organização de seus materiais que podem ser conferidas nas etiquetas de seus livros, em fichas, em anotações em fotografias ou manuscritos.

O fichário analítico de Mário de Andrade é um instrumento que permite desvendar esses vínculos entre os itens de forma mais direta. É onde Mário muitas vezes deixou clara a relação que um livros, tinha com um manuscrito e esse como uma correspondência.

Mário de Andrade queria deixar para outras gerações o acesso ao acervo que acumulou durante anos de trabalho.

O fichário analítico de Mário de Andrade - Foto: acervo IEB

UMA BIBLIOTECA ...

Mário de Andrade fazia muitas anotações nos livros que possuía, por isso seus livros não circulam mas podem ser consultados na biblioteca do IEB, ou vistos em exposições pelo país ou pelo mundo.

Muitos de seus livros contêm dedicatórias de seus autores, algumas sucintas, outras em páginas, revelando a rede de relações de amizades do escritor.

Além de livros em diversas línguas estrangeiras como grega, russa, indu, Mário também colecionava livros infantis e seu acervo contém importantes escritoras brasileiras da virada do século XIX  para o século XX como Júlia Lopes de Almeida e Auta de Souza.

UM HOMEM ÁVIDO POR CULTURA

Mário fez viagens pelo Brasil em que registrou em anotações e fotografias os diversos tipos de “brasileiros” e as múltiplas manifestações artísticas dos locais em que passou. É possível encontrar a influência dessas viagens em suas obras. Dois percursos que merecem destaque são o da 1ª Viagem etnográfica (1927) que englobou o nordeste, Amazonas e Peru e a 2ª viagem etnográfica (1928-1929) pelos estados do Nordeste. Para saber mais sobre estas duas viagens, há uma publicação do “Turista aprendiz” no link: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/O_turista_aprendiz.pdf

A frente do Departamento de Cultura de São Paulo, em 1938, Mário de Andrade realizou o projeto de Missão de Pesquisas Folclóricas, em que enviou pessoas para o Norte e Nordeste do país para registrar manifestações da cultura popular, em especial músicas. Entre os colaboradores enviados Donga, Pixinguinha, Villa-Lobos e Camargo Guarnieri.

Link para um dos vídeos resultantes das missões folclóricas: 

Mário escreveu para Carlos Drummond de Andrade que sofria de “gigantismo epistolar” e esta expressão é certeira pois são mais de 8 mil correspondências em seu acervo que considerando cartas recebidas, enviadas e de terceiros. São cerca de 1200 correspondentes com os quais são tratados assuntos diversos e que muitas vezes se refletem em nossa memória cultural.

CURIOSIDADES SOBRE O ACERVO

– Ele fazia muitas anotações nos livros de sua biblioteca, o que permite conhecer seus conceitos,  opiniões e a relação entre suas pesquisas.

– Para quem estava no início do séc 20 ele possuía uma coleção grande de livros

– Mário buscava ter dois exemplares de cada título em sua biblioteca, assim um deles poderia ser emprestado, apesar de preferir que seus colegas os lessem na sua casa

– Vez ou outra ainda é possível encontrar em seus livros bilhetes, cartas, desenhos.

– Ele era compositor e compôs a música Viola Quebrada

– Ele colecionava cardápios: talvez sejam lembranças de momento que passou com personalidades importantes do início do século XX, pois muitos são assinados pelos que estavam presentes nas refeições, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Oswald Andrade.

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COMO TER ACESSO AO ACERVO

Aberto a qualquer pessoa.

Por meio de agendamento:

Biblioteca (atendimento.bibieb@usp.br) seg -qui – à tarde

Arquivo (arquivoieb@usp.br) seg-qui – manhã

Temos a biblioteca digital com obras em domínio público:

http://200.144.255.59/catalogo_eletronico/consultaDocumentos.asp?Tipo_Consulta=Projeto_Especial&Acervo_Codigo=3&Setor_Codigo=12

COMO PESQUISAR?

é possível fazer a consulta prévia ao acervo: