Luzes & refrações: Mário de Andrade polímata e o projeto modernista e coletivo em periódicos (1922-1929)

Tese de Doutorado: Luzes & refrações: Mário de Andrade polímata e o projeto modernista e coletivo em periódicos (1922-1929)

Autor(a):  Adalberto Rafael Guimarães

Ano: 2018

Orientador(a):  Maria Augusta Bernardes Fonseca

Unidade da USP: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.8.2018.tde-12112018-104959

Resumo: 

Em 1946, ao avaliar a ação dos periódicos modernistas, Antonio Candido destacou que sem as “talentosas erupções das revistas de moços”, responsáveis por “derrubar os fósseis e educar o gosto dos leitores”, seria impossível afirmar que determinado momento de nossa história apresentou “vitalidade literária”. Ao lado de José Aderaldo Castello, acrescentou posteriormente que não haveria como fazer a crônica do Modernismo sem atentar para a importância dessas publicações. Nesse sentido, tendo como base a Revista Klaxon: Mensário de Arte Moderna (1922-1923), o jornal Terra Roxa e Outras Terras (1926) e a Revista de Antropofagia (1928-1929) este trabalho pretende coligir, selecionar e discutir os textos de crítica e de criação literária de Mário de Andrade a fim de analisar as constâncias e transformações na construção do projeto modernista, partindo do espaço de “sociabilidade intelectual” da revista. Em Klaxon, nos limites da seção Luzes e Refrações, Mário de Andrade procurava “iluminar” os princípios que julgava necessários à estética em construção, porém não se furtava da tarefa de “refratar” as críticas dos adversários. Em nossa perspectiva, nas revistas que sucedem a “buzina literária”, novamente se ilumina esse perfil polímata interessado em contribuir para o progresso dos artistas e do público, revelando a atitude de mestre da qual confessou nunca ter se afastado; mas também a figura do crítico empenhado no desenvolvimento de um projeto modernista articulado às ideias dos companheiros. Nesse sentido, os periódicos selecionados apresentam-se como “lugar de fermentação intelectual e de relação afetiva”, “viveiro e espaço de sociabilidade”, no dizer de Jean-François Sirinelli, mas também acolhem o “vagaroso ruminar” do processo intelectual de Mário de Andrade, apontado por Antonio Candido. Nesse percurso traçado pelas revistas de São Paulo, buscou-se avaliar as constâncias e transformações nos interesses do intelectual que partem da reflexão de questões de natureza estética, em Klaxon, e parecem se concretizar, nas revistas seguintes, na procura de uma expressão artística que, em seus termos, fosse capaz de refletir o “modo brasileiro de pensar e sentir”. Teve ainda importância central neste trabalho discutir como os problemas apontados por Mário de Andrade em Klaxon, no campo da música, do cinema e da literatura, são retomados e desenvolvidos em suas incursões sobre o circo e as artes plásticas, em Terra Roxa e Outras Terras, bem como na Revista de Antropofagia, quando seu interesse recaiu, sobretudo, sobre o folclore brasileiro. Nesse sentido, procurou-se discutir não somente formulações de natureza interna nas críticas e nos poemas contemplando questões específicas sobre os temas mas também observar a pertinência de suas relações com o contexto social da época, seu interesse pela vida cultural do país, suas tensões e atritos, ressaltando as particularidades do aspecto ideológico discutido por João Luiz Lafetá. Na esteira de Antonio Candido, em Literatura e Sociedade, esta investigação buscou questionar a partir dos três periódicos lançados em São Paulo, na década de 1920, modos pelos quais os comentários de Mário de Andrade sobre diferentes manifestações artísticas corroboraram a criação de um projeto de renovação da cultura brasileira que se propôs, a partir de Klaxon, a esclarecer, refletir e atualizar a expressão artística nacional.

Palavras-chave: Literatura e Sociedade; Mário de Andrade; Revista de Antropofagia; Revista Klaxon; Terra Roxa e Outras Terras.

Fonte: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP