O iniciado do movimento: a ficção de Aníbal Machado e o cinema

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Tese de Doutorado: O iniciado do movimento: a ficção de Aníbal Machado e o cinema

Autor(a):  Rosana Fumie Tokimatsu

Ano: 2017

Orientador(a): Maria Augusta Bernardes Fonseca

Unidade da USP: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.8.2017.tde-12052017-155530

Resumo: 

Este trabalho pretende expor as maneiras pelas quais a ficção de Aníbal Machado dialoga com o cinema, procurando definir a ampla visão de sua poética a partir desse viés. A condição do autor de fã e conhecedor da chamada sétima arte faz com que ela se faça presente também em sua obra literária. Um dos aspectos nela observados é a tentativa de reproduzir técnicas e procedimentos da linguagem cinematográfica, o que tem origem em práticas das vanguardas europeias e do modernismo brasileiro. Tal tentativa se faz já em João Ternura, livro que começou a ser escrito por volta de 1926 e concluído às vésperas da morte do autor, em 1964, e é claramente marcado como um projeto modernista. A aproximação da linguagem fílmica nesse livro, entretanto, limita-se quase exclusivamente à montagem de segmentos narrativos descontínuos. Por outro lado, os recursos que buscam similaridade com a narrativa fílmica encontram-se disseminados nos contos do autor, sendo A morte da porta-estandarte o mais cinematográfico deles, já que mobiliza a maior parte desses recursos, como a focalização de um assunto de diversos ângulos e a montagem, realizando uma feliz conjunção entre imagem, movimento e som. Num segundo andamento a tese examina uma particularidade cinematográfica, a presença de Carlitos, de Charles Chaplin, na obra de Aníbal Machado, bem como do cinema burlesco de maneira geral. Assim é enfatizado que na ficção do autor existe uma galeria de personagens que se distingue pela inocência, pelo sonho ou pelo irracional, o que resulta de uma visão do universo de Carlitos influenciada pelas vanguardas europeias, principalmente pelo surrealismo, ao qual Aníbal Machado chegou a declarar publicamente a adesão. As referências aos filmes chaplinianos estão também no ponto de vista irônico do narrador, bem como na coexistência do cômico e do dramático. Na ficção do autor, a gestualidade está relacionada à inocência e ternura de personagens que, por esse motivo, são massacrados pelas rígidas regras e convenções sociais. Daí seu irracionalismo representado pelo burlesco – como recusa a se submeter a essas regras. A pesquisa se detém ainda em outras atividades de Aníbal Machado relacionadas ao cinema. Nesse particular, o foco se volta para o início dos anos 1950, quando o escritor foi convidado pela Companhia Vera Cruz a colaborar com roteiros de outros autores e a escrever adaptações para alguns contos de sua autoria. Assim, elaborou sinopses e roteiros para A morte da porta-estandarte, O telegrama de Ataxerxes e O piano, mas nenhum deles chegou a ser filmado. Nesse andamento, pretende-se caracterizar o contexto em que a produção ficcional se inscreve, situando-a também na história do cinema brasileiro. Tomando as adaptações de autoria de Aníbal, procura-se avaliar o motivo do interesse do mercado cinematográfico da época em adaptar seus contos. Com isso em vista, pretende-se fazer uma análise comparativa entre A morte da porta-estandarte e sua correspondente sinopse em duas versões, e de O telegrama de Ataxerxes e o roteiro nele baseado, procurando explicitar as soluções adotadas pelo autor para transpor suas histórias para uma linguagem cinematográfica, criando novos elementos para dar conta das diferentes artes e linguagens que se impõem nessas adaptações.

Palavras-chave: Aníbal Machado; Literatura e cinema; Modernismo brasileiro; Vanguardas europeias.

Fonte: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP